Educação Ambiental na Universidade: o caso da PUC Minas

Muito se fala sobre sustentabilidade e atitudes que devemos tomar para preservar o meio ambiente. Economizamos água no banho, separamos o lixo, exigimos políticas públicas. Mas fico me perguntando o quão próximo a educação ambiental está da formação acadêmica de várias profissionais que lidam diretamente com ações que afetam o bem-estar social. Precisamos dos recursos da natureza para sobreviver, é natural que essa questão, então, esteja no centro das nossas atividades no mundo.

Um grande problema ambiental hoje é o crescente volume de lixo nos centros urbanos, que ameaça a saúde da população como um todo. Mais de 40% do lixo gerado hoje no Brasil não é tratado corretamente, o que significa que uma grande quantidade de lixo pode estar contaminando a água que consumimos, o solo, e ameaçando a vida dos seres vivos. O saneamento básico é um serviço de primeira necessidade, que se fosse aplicado com eficácia em todo o território nacional, doenças como dengue e zika seriam erradicadas.

A conscientização dos profissionais do ramo é uma peça chave para a resolução de problemas. Por isso devemos valorizar esforços acadêmicos que trazem para o centro a discussão ambiental. O profissional deve estar preparado para o diagnóstico dos problemas no lugar onde atua e na busca de soluções, e agir como um agente transformador, desenvolvendo habilidades e as pondo em prática no seu ramo profissional.

Aqui em BH existe um curso que tenta agir nesse sentido. É o curso de Especialização em Gestão Ambiental de Resíduos Sólidos coordenado pelo doutor em Engenharia Civil Hiram Sartori na PUC Minas. O objetivo é que os alunos sejam capacitados a atuar no mercado de trabalho dando foco à qualidade de vida, à saúde pública e ao bem-estar social.

O curso foca na resolução de problemas relacionadas a resíduos sólidos, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo o site do Hiram Sartori, a gestão de resíduos sólidos “atua de modo a diminuir os impactos dos resíduos no meio ambiente e na saúde pública, além de se preocupar com a redução de despesas na recuperação das áreas degradadas, da água e do ar poluídos, com melhor aplicação dos recursos econômicos”.

Essa especialização se encaixa para profissionais graduados em Química, Engenharia Química, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia Sanitária, Engenharia Ambiental, Gestão Ambiental, entre outros. São profissões que tem possibilidade de contribuir para melhorias das condições ambientais nas cidades, criando soluções práticas e eficazes.

O aprofundamento da temática na universidade traz benefícios incalculáveis. Segundo Sartori, os alunos têm a oportunidade de vivenciar no campus etapas importantes do tratamento dos resíduos sólidos, como por exemplo, o trabalho realizado em seu curso, que realiza um diagnóstico do lixo no campus da PUC Minas, etapa inicial para o seu gerenciamento. O trabalho constatou que o lixo em questão era composto de papéis, vidro, plástico, papelão, resíduos da área de saúde e matéria orgânica. Com essa informação em mãos, os futuros profissionais traçaram um plano de gerenciamento dos resíduos sólidos para a PUC.

O objetivo desse trabalho e de vários outros que são feitos no campus, é primeiramente diminuir ao máximo a produção de lixo, o que ajuda na economia de dinheiro público e evita danos ao meio ambiente, além de terem uma experiência prática sobre o assunto. Ao mesmo tempo que os alunos se especializavam no processo, o resto do campus, estudantes e funcionários, também se beneficiavam com uma nova conscientização de hábitos e atitudes em relação ao meio ambiente.